A história decorre de uma reunião de trabalho entre o responsável pelo departamento produtivo, de uma grande empresa americana, e um colaborador que apresentou, por escrito, uma reclamação por indevida, na opinião deste, conceção de um produto a ser definido.
Após uma inicial troca de informações, o dito responsável resolve apresentar um argumento que, desde logo, baliza a reunião e a pretensão do colaborador. Informa então que reconhece, no colaborador, uma dificuldade em ouvir a opinião de outros e que só ouve as suas posições. Em processo de negociação “ancorou” a discussão. A partir desse momento e sempre que o colaborador apresentava o seu ponto de vista ou interferia, com resposta, aos argumentos do responsável logo era observado, por este, que a sua opinião inicial sobre a personalidade do colaborador estava correta. Ou seja, lá estaria o colaborador a ouvir-se só a ele!
E assim se prolongou, por mais algum tempo a reunião, e sempre que a posição do responsável era posta em causa era sempre indicada a “âncora” inicial. O colaborador, que desde logo estaria, numa conversa da natureza em causa, numa posição de desvantagem visto a mesma ter lugar no gabinete no responsável, mais não teve do que desistir de argumentar e deu por encerrada a reunião.
Se o responsável utilizou a estratégia para demover o colaborador da pretensão inicial, tal surtiu efeito. Se foi uma atitude involuntária desde logo tornou a relação contaminada e inconsequente. Sendo, neste último caso, uma relação tóxica.
Quem, por força da diferença hierárquica em causa, limitou e condicionou o resultado da reunião foi, neste caso, o responsável.
O ensinamento é de que, em negociação de posições, o estabelecimento de âncoras que nos permitam a todo e qualquer momento voltar a essa posição, é aconselhável quando pretendemos resultados inconsequentes, eliminar qualquer pretensão da outra parte ou, simplesmente, perder tempo.
A propósito, a reclamação inicial nunca foi respondida. A empresa caracterizava-se por uma postura de “ditadura de posicionamento” relacional. Também existem deste lado do Atlântico…

