Este Natal voltamos a demonstrar uma das nossas características mais geneticamente entranhadas na nossa sociedade. O desejo de querer receber muito com pouco investimento.
Esta evidência é demonstrada nas formas mais impessoais de manifestações de sentimento natalício para com o próximo.
Os portugueses e as empresas portuguesas fazem-nos chegar mensagens escritas, via telemóvel, emails e até mensagens via rede social que, de pessoal e sentimental, nada têm.
Enviar uma mensagem escrita para uma quantidade de amigos, com o esforço máximo de os ir selecionando da lista telefónica do telemóvel ou enviar um email reconfortante, para uma quantidade enorme de endereços de email, com os votos desejados ou ainda, associar todos os amigos da rede social a uma determinada fotografia de Natal, nada tem de pessoal. Receber uma mensagem escrita genérica não presta. Pensar que com isto se demonstra que nos lembramos dos amigos é erradamente concreto.
Não é pessoal. Não se demonstra o mais ténue sentimento de amizade e desejo, quando se percebe que a mesma mensagem foi enviada assim, impessoal e em massa, para outros como nós.
Os amigos mais íntimos gostam de ouvir a nossa voz. Gostam de ouvir de viva voz o nosso desejo de Natal.
Os amigos gostam de receber mensagens escritas mas personalizadas. Com algo de comum entre os amigos. O trabalho, a família ou algo que tenha sido partilhado.
Receber emails empresariais em que nem o destinatário está identificado é equivalente a receber, na caixa do correio da nossa casa, os folhetos promocionais dos supermercados. O que, normalmente, lhes fazemos é colocá-los no lixo.
Nas redes sociais, colocar uma identificação de um amigo numa fotografia é impessoal e dispensável. Aliás, depois disso passamos a receber as mais variadas respostas entre todos os identificados. Não acredito que a todos os amigos, do meu amigo, interesse saber que um outro amigo, que está num país distante, apanhou um qualquer vírus e que não pode andar de avião e que por isso não pode estar no Natal com a família. Isso é impessoal ao melhor estilo dos programas de casa de segredos e grande irmão.
Aos meus amigos telefono na véspera de Natal. Aos meus amigos envio um email personalizado.
Não poderei voltar ao tempo da escrita em papel e dos postais personalizados, dos quais tenho saudades por demais, mas gosto de enviar os meus desejos pessoais aos meus amigos.
Também não me verão a responder a mensagens impessoais, a emails em massa e a identificações nas redes sociais. Lamento, aos meus Amigos darei sempre mais do que isso!
Por tudo isto é que há quem se queixe que as amizades são tão efémeras. Por causa dos envios em massa. Pelo menos no Natal, os meus amigos que me telefonem, que me escrevam ou que publiquem uma fotografia. Eu gosto de saber como estão. Gosto de lhes ouvir a voz, gosto de lhes ler a escrita e gosto de lhes ver as rugas…
Abraços de Natal…